Publicado em 26 Setembro, 2009
São Braz - O Advogado da Voz
Não são, até agora, conhecidos documentos verídicos, sobre a sua vida. Foi Bispo de Sebaste, (joje Sivas), na Arménia, entre os finais do séc. III e princípios de séc. IV.
Aponta-se a data de 316 como a do seu martírio, no tempo do imperador Diocleciano, segundo o P. e Dr. João de Deuses, pároco da freguesia de Sobrosa, Paredes, professor da Universidade Católica do Porto e pregador da festa em honra de S. Brás, na capela de seu nome e da Sª do Monte, Guilhupe, Penafiel, em 8 de Fevereiro de 2004. por sua vez, o historiador religioso... de Barros refere que a sua degolação ocorreu no ano de 315, no tempo da grande perseguição que o imperador Licínio levou a cabo, no I.R. do Oriente.
Ora, na primeira data, o imperador do I.R. do Oriente era, de facto, Licínio e não Diocleciano. No Ocidente, dominava Constantino em 313, reuniu-se em Milão com o imperador do I.R. Oriente, Licíinio, e aí, publicaram o Edito da Tolerância ou de Milão, em que se reconhece oficialmente o Cristianismo. Por outro lado, as últimas grandes perseguições aos cristãos, no Ocidente, foram entre 303 e 306. no oriente, de 307 a 313, data do referido Edito de Milão. Sabe-se que, depois, Constantino venceu Licínio e transferiu a capital do I.R. para Constantinopla, antiga Bizâncio, agora com o Licínio e transferiu a capital do I.R. para Constantinopla, antiga Bizâncio, agora com o seu nome. Não repugna, por conseguinte, que a sua morte tenha corrido neste período turbulento, salvaguardadas que sejam os rigores cronológicos.
A falta de rigor, que persiste, deve-se ao facto de os primeiros escritos sobre o Santo só aparecerem no sé. IX. Até ai, prevaleceu a tradição e a passagem oral do testemunho.
Crê-se que estudou medicina e era descendente de família abastada. Quanto ao tipo de morte a que foi sujeito, há duas versões. Uma relata que foi despedaçado por pentes de ferro, espécie de ripos portugueses para ripar o linho. Daí os cardadores o terem escolhido como patrono.
Como se pode ver no Inventário da Colecção dos Registos de Santos, da Biblioteca Nacional, existem 16 registos de estampas ou outras representações de S. Brás. Em todas traja de bispo. Numas tem báculo na mão direita, noutras, gesticula como pregador. Por vezes tem uma mesa junto de si, onde se encontra o pente do martírio.
Um livro na mão pode ver-se também em algumas representações. Por fim, há ainda noutras, uma cidade ou um rio e uma cidade, como pano de findo. Como inscrição, aparece quase sempre a referência a "bispo e mártir". Destas merecem destaque duas de Veneza: "S. Biaggio Vescovo di Sebaste e Martyre" e "S. Blas Obispo de Sebast. y Martyr". No livro de Horas de D. Duarte, há uma iluminura lindíssima, em que o Santo traja de bispo, segurado o báculo na mão esquerda e o pente de ferro (aqui, tipo ancinho), na mão direita.
A outra versão da sua morte refere que foi degolado e, daí, o ser protector das doenças de garganta (segundo... de Barros).
Inegável é o facto da popularidade do seu culto, pois faz parte dos Santos "auxiliares". É invocado contra os males de garganta, havendo no ritual romano bênções, em sua honra, para velas, pão, vinho, água e frutos. Terá retirado uma espinha da garganta de um rapaz, segundo a tradição. A este propósito, refira-se que há duas representações em estampa que incluem uma criança ajoelhada, ao lado. Chegou a ser patrono de alguns hospitais portugueses, entre os quais o de Évora.
A sua festa, na igreja latina, é a 3 de Fevereiro. Na igreja grega, a 11 de Fevereiro.
Texto da autoria do Dr. António Carmindo Maia.





















